||| RESENHA
Com o passar dos anos você vai começando a colocar no papel tudo o que você realmente fez de produtivo em sua vida, e o pior de tudo, é que a lista, na maioria das vezes, é curta.
Não tive grandes desejos e vontades em minha vida. A verdade é que tive uma vida pacata, poucas cicatrizes no corpo (só tive uma cicatriz ao longo de minha vida, graças a merda da cirurgia de próstata), muitos pêlos (menos na cabeça, defitivamente não entendo a má divisão de cabelo em meu corpo, sobra em muitos lugares falta em apenas um), poucos dentes me restaram, e os que restaram já não são lá muito fortes.
Antes de ontem estava com vinte e poucos anos, adormeci por algumas noites, e agora me vejo no espelho, uma pele flácida e enrugada. A verdade é que o tempo nos corrói de dentro para fora (acredito que não seja essa uma grande descoberta, na verdade, todos sabem disso, alguns simplesmente ignoram este simples fato).
Quando você estiver em uma idade avançada resenhar a vida em poucos tópicos não será muito difícil, acho que envelhecer te deixa incapaz de fazer qualquer coisa, menos, resenhar.
Resenhar:
- 700 ml de café por dia;
- 20 cigarros em 15 'agoras' vespertinos;
- 2 Comprimidos para dores no corpo;
- 1 para prisão de ventre;
- 3 para o glaucoma;
- 7 para a esquizofrenia;
- Quinta é o dia da máquina de lavar;
- Quarta o do ferro de passar;
- Sexta é o dia de beber cerveja sem álcool porque o seu organismo definitivamente já não consegue expelir tudo o que entra dentro dele;
- o 5º dia útil é o dia em que a aposentadoria cai em minha conta poupança;
- o 1º dia de cada mês é o dia do check-up no médico;
- o 10º dia é o dia de ir as compras, 50% do dinheiro vai para os 6 primeiros itens desta lista, 30% fica para as compras do mês; e os outros 20% eu deixo guardado para o caso de alguma emergência. (Fico pensando por que será que todo velho guarda um pouco das economias para algum tipo de 'emergência' especial? Deve ser só por segurança, pois acredito que todos temos consciência de que a única emergência que teremos será ligar para o 192 e solicitar uma ambulância - isso sim é emergência).
Enfim, resenhar a vida é algo não muito complexo quando você passa dos 65. Meus netos acham que ser velho é bom, pois eu não pago a passagem de ônibus. Realmente deve ser um alívio pensar que não preciso pagar para entrar em um ônibus lotado de estudantes cansados de estudar, trabalhar, beber, curtir a vida, namorar...
Eu tenho uma irmã um pouco mais velha do que eu, mas ela é uma vaca, e por este motivo não temos muito contato. Meus filhos queriam me colocar em um asilo, mandei eles para a casa de praia que comprei enquanto minha senhora era viva, agora cá estou eu, vivo... E resenhando vidas...
Na quadra onde os paralelepípedos são dobraduras de papel marchê e os sonhos são pedaços desleixados de minha infância reticente... Será que uma cidade caberia inteira dentro da minha quadra?
terça-feira, março 27, 2007
Ultimamente encontrando muitas coisas legais neste tal de You Tube. Essa semana encontrei um vídeo que eu achei simplesmente sublime. O vídeo abaixo foi criado pelo animador Dony Permedi, e ganhou o prêmio do You Tube como o vídeo "Mais Adorável".
P.S.: Que me desculpem aqueles que gostariam de ver somente linhas, mas, acho que essa coisa de vídeo realmente deve alterar, pelo menos momentaneamente a cara do meu blog. Até a próxima.
P.S2.: Que me desculpem os amigos que utilizam conexão discada.
Enjoy it...
P.S.: Que me desculpem aqueles que gostariam de ver somente linhas, mas, acho que essa coisa de vídeo realmente deve alterar, pelo menos momentaneamente a cara do meu blog. Até a próxima.
P.S2.: Que me desculpem os amigos que utilizam conexão discada.
Enjoy it...
sexta-feira, março 16, 2007
WEB 2.0 - THE MACHINE IS US
Web 2.0 - Achei este vídeo bacana demais, feito por um professor assistente de antropologia da universidade do Kansas. Blogs, links, Google, Yahoo... O termo web 2.0 foi um termo cunhado por Tim O'Reilly eleito recentemente como uma das 50 pessoas mais importantes desse mundinho chamado internet... Assistam ao vídeo. Vale a pena.
::: Taste and enjoy it
Web 2.0 - Achei este vídeo bacana demais, feito por um professor assistente de antropologia da universidade do Kansas. Blogs, links, Google, Yahoo... O termo web 2.0 foi um termo cunhado por Tim O'Reilly eleito recentemente como uma das 50 pessoas mais importantes desse mundinho chamado internet... Assistam ao vídeo. Vale a pena.
::: Taste and enjoy it
segunda-feira, março 05, 2007
::: Brincando com o tempo
Fiquei rico há dois anos atrás quando aprendi a fabricar algo precioso que todos precisam e sempre reclamam que estão sem. Aquelas duas horas à mais que você precisa para tirar mais uma com uma prostituta barata em um motel igualmente barato não é problema, é só falar comigo, resolvo o seu problema.
Problema com o prazo do trabalho, tá aí, eu não faço o seu trabalho mas posso prolongar um pouquinho o seu prazo.
Ultimamente todo mundo anda sem tempo... Tempo... Uma coisa abstrata que tornou real e concreta a expressão: 'Tempo é dinheiro!'.
Eu não prolongo vidas, de todos os males, este é o menos pior, pra que prolongar a vida? Se tu me pedisse isso eu me recusaria a atender. Não eu não virei Deus. O tempo estava ali, debaixo do paralelepípedo da quadra 747, era um relogio de bolso dourado. Achei, peguei pra mim, e agora fabrico tempo. Intermináveis horas de descanso,
...cinco cigarros no maço, acho que ainda dá pra se pensar em algo decente... Vamos lá, o texto começou ruim, puxa da memória cacete, você consegue. Na geladeira metade de uma fanta laranja sem gás, isso deve ajudar, vamos lá...
A verdade é que eu não gostaria de fabricar tempo. Tempo, prazos, datas, lembretes, calendários e o caralho a quatro. Por que será que todo mundo quer se tornar dono do tempo? O tempo não há de lhe trazer nenhuma verdade ao longo de sua vida, não vai lhe trazer mais sorte ou azar, não há de lhe prestar pra muita coisa. Tempo... Meu tempo ocioso rende textos medíocres, mas a maior das verdades é que o tempo é uma mentira afiada que lhe tira o sono, os bons momentos, lhe tira os rins e as tripas, lhe tira o pulmão, os amigos. O tempo deve ser um irmão mais velho, pronto pra lhe dar um sermão e um tapa na bunda.
O que é o tempo?
Eu gostava de uma musiquinha bonitinha que dizia... (como é que era mesmo a porra da música? Na verdade eu me esqueci, e tô sem saco pra lembrar, tempo eu tenho de sobra, mas não tenho saco, na verdade eu tenho, mas não era bem deste saco que eu estava falando, antes que alguém tire alguma conclusão precipitada).
Quer saber, você não terá tempo nenhum pra ler este texto, portanto, eu vou deixar ele aqui. Por terminar... Por que tempo ninguém tem... Ou será que tem...?
Se precisar de mais tempo ligue para (99) 999-9585, ou então liga pra pra sua operadora de telefonia e diz que você definitivamente precisa contratar mais minutos para falar algo que ninguém tem mais saco pra escutar...
(Eu realmente poderia ter pensado em algo melhor. - Depois de ter escrito esta frase eu fico me perguntando... Será que eu poderia mesmo? Não que eu duvide de mim, não que eu ache que estou ficando burro, mas sabe como é, cansaço mata a gente... E ultimamente ando sonolento)... Deve ser por isso... Claro... Sonolência... Apolônio, me traz o Dramim... Apolônio não é o meu mordomo... É o farmacêutico do Drogatel entrega... Será que você conseguiu chegar até aqui? Caralho, parabéns, você definitivamente não precisa de mais tempo em sua vida, na verdade você tem tempo de sobra...
Fiquei rico há dois anos atrás quando aprendi a fabricar algo precioso que todos precisam e sempre reclamam que estão sem. Aquelas duas horas à mais que você precisa para tirar mais uma com uma prostituta barata em um motel igualmente barato não é problema, é só falar comigo, resolvo o seu problema.
Problema com o prazo do trabalho, tá aí, eu não faço o seu trabalho mas posso prolongar um pouquinho o seu prazo.
Ultimamente todo mundo anda sem tempo... Tempo... Uma coisa abstrata que tornou real e concreta a expressão: 'Tempo é dinheiro!'.
Eu não prolongo vidas, de todos os males, este é o menos pior, pra que prolongar a vida? Se tu me pedisse isso eu me recusaria a atender. Não eu não virei Deus. O tempo estava ali, debaixo do paralelepípedo da quadra 747, era um relogio de bolso dourado. Achei, peguei pra mim, e agora fabrico tempo. Intermináveis horas de descanso,
...cinco cigarros no maço, acho que ainda dá pra se pensar em algo decente... Vamos lá, o texto começou ruim, puxa da memória cacete, você consegue. Na geladeira metade de uma fanta laranja sem gás, isso deve ajudar, vamos lá...
A verdade é que eu não gostaria de fabricar tempo. Tempo, prazos, datas, lembretes, calendários e o caralho a quatro. Por que será que todo mundo quer se tornar dono do tempo? O tempo não há de lhe trazer nenhuma verdade ao longo de sua vida, não vai lhe trazer mais sorte ou azar, não há de lhe prestar pra muita coisa. Tempo... Meu tempo ocioso rende textos medíocres, mas a maior das verdades é que o tempo é uma mentira afiada que lhe tira o sono, os bons momentos, lhe tira os rins e as tripas, lhe tira o pulmão, os amigos. O tempo deve ser um irmão mais velho, pronto pra lhe dar um sermão e um tapa na bunda.
O que é o tempo?
Eu gostava de uma musiquinha bonitinha que dizia... (como é que era mesmo a porra da música? Na verdade eu me esqueci, e tô sem saco pra lembrar, tempo eu tenho de sobra, mas não tenho saco, na verdade eu tenho, mas não era bem deste saco que eu estava falando, antes que alguém tire alguma conclusão precipitada).
Quer saber, você não terá tempo nenhum pra ler este texto, portanto, eu vou deixar ele aqui. Por terminar... Por que tempo ninguém tem... Ou será que tem...?
Se precisar de mais tempo ligue para (99) 999-9585, ou então liga pra pra sua operadora de telefonia e diz que você definitivamente precisa contratar mais minutos para falar algo que ninguém tem mais saco pra escutar...
(Eu realmente poderia ter pensado em algo melhor. - Depois de ter escrito esta frase eu fico me perguntando... Será que eu poderia mesmo? Não que eu duvide de mim, não que eu ache que estou ficando burro, mas sabe como é, cansaço mata a gente... E ultimamente ando sonolento)... Deve ser por isso... Claro... Sonolência... Apolônio, me traz o Dramim... Apolônio não é o meu mordomo... É o farmacêutico do Drogatel entrega... Será que você conseguiu chegar até aqui? Caralho, parabéns, você definitivamente não precisa de mais tempo em sua vida, na verdade você tem tempo de sobra...
domingo, janeiro 21, 2007
Quadra 747
Moro na quadra 747, onde os paralelepípedos enxugam as lágrimas oleosas do céu bolorento. A quadra onde os jovens passeiam de bicicletas côr de rosa com cestinhas de carregar mangas e goiabas que caem dos quintais vizinhos.
Moro na quadra 747, onde as pessoas plantam bolas azuis estreladas no centro dos jardins, onde o asfalto correu pra cima dos postes de iluminação pra esconder a luz do dia. Onde os telhados são pirulitos gigantes feitos de chocolate e sorrisos, todos com 32 dentes dentro da boca.
Na quadra 747 a chuva é feita de grãos café que se misturam com os flocos de leite em pó que caem como neve formando imensas poças densas e grossas de café com leite.
Moro na quadra 747, onde a infância ainda existe, onde pessoas morrem aos 365 anos de idade com o interior recheado de doces e guloseimas deliciosas para alimentar a fantasia daqueles que ainda estão pra nascer.
Na quadra 747, onde os jovens encontram esquinas para fechar a rua para a pelada de domingo, fazendo de nunves perdidas simples traves de gol. No fundo da quadra existe um rio vermelho feito de suco de groselha para que jovens e velhos exercitem os braços e praticarem natação.
Uma vez, quando era menino pequeno, surfei em uma estrela cadente que passeava alegre na noite de natal. Minha avó dizia que poderíamos fazer pedidos para as estrelas cadentes, que essas, sem dúvida, atenderiam nossos desejos. Me lembro que pedi várias coisas, mas me lembro de uma em especial, pedi que a quadra 747 fosse sempre daquele jeito, comestível e cheia de sonhos eternos, para que todos pudessem crescer ao som de cigarras de chocolate e besouros de bala de coco. Não sei até hoje se meu pedido foi atendido, fugi para crescer e nunca mais voltei à quadra 747, cresci e virei gente grande, arrumei um emprego, comprei uma casa e nunca mais tive contato com meus amigos que moravam na quadra 747, mas acredito que estejam até hoje surfando em estrelas cadentes nas noites de natal.
Existe um boato de que a quadra 747 foi o sonho de um menino grande que pintou com as próprias mãos um mundo fantástico e que, algumas pessoas, acreditando neste sonho, fizeram com que ele se tornasse realidade. E a quadra 747 nasceu assim, de uma verdade inventada, nasceu como um pontinho azul no centro da Terra, e foi crescendo, germinando, frutificando. Até que um dia, como que em uma imensa explosão, criou-se a quadra 747, formada de milhões de cacos de sonhos. Um paraíso no meio do nada, uma quadra numérica que nunca foi uma expressão matemática, mas que, com certeza, o resultado sempre dava um número oito deitado, que mais tarde me disseram ser o símbolo do infinito.
Fugi para uma quadra mais distante, nunca mais consegui encontrar o caminho de casa, nunca mais vi meus amigos ou parentes próximos. Fugi porque queria ser diferente, porque queria viver em um mundo grandioso. Achei que outra quadra me abraçaria com zelo, mas nenhuma quadra te abraça como a quadra 747, algumas delas até te chutam na altura do estômago para que você fique sem ar e chore como uma criança, dizem que gente grande não pode perder tempo chorando, pois o mundo jamais esperará que suas lágrimas sequem. Desde aquele dia, não sabia o que era dor, não sabia o que eram lágrimas. E depois de tudo isso chorei por não conseguir achar o caminho de volta. Tive que crescer, tive que aprender algumas coisas, mas em minha cabeça... Só restam as boas lembranças da minha querida quadra 747.
A quadra 747, ali, logo depois do arco-íris de bala de goma, na esquina dos sorvetes que nunca derretem, dos sonhos que sempre crescem e dos jovens que nunca fogem... Eles não precisam, crescem tranquilos, sabem que, por melhor que tenha sido o seu dia, nada se comprara com a volta para casa, nada se compara a voltar... Voltar para a quadra 747...
Moro na quadra 747, onde os paralelepípedos enxugam as lágrimas oleosas do céu bolorento. A quadra onde os jovens passeiam de bicicletas côr de rosa com cestinhas de carregar mangas e goiabas que caem dos quintais vizinhos.
Moro na quadra 747, onde as pessoas plantam bolas azuis estreladas no centro dos jardins, onde o asfalto correu pra cima dos postes de iluminação pra esconder a luz do dia. Onde os telhados são pirulitos gigantes feitos de chocolate e sorrisos, todos com 32 dentes dentro da boca.
Na quadra 747 a chuva é feita de grãos café que se misturam com os flocos de leite em pó que caem como neve formando imensas poças densas e grossas de café com leite.
Moro na quadra 747, onde a infância ainda existe, onde pessoas morrem aos 365 anos de idade com o interior recheado de doces e guloseimas deliciosas para alimentar a fantasia daqueles que ainda estão pra nascer.
Na quadra 747, onde os jovens encontram esquinas para fechar a rua para a pelada de domingo, fazendo de nunves perdidas simples traves de gol. No fundo da quadra existe um rio vermelho feito de suco de groselha para que jovens e velhos exercitem os braços e praticarem natação.
Uma vez, quando era menino pequeno, surfei em uma estrela cadente que passeava alegre na noite de natal. Minha avó dizia que poderíamos fazer pedidos para as estrelas cadentes, que essas, sem dúvida, atenderiam nossos desejos. Me lembro que pedi várias coisas, mas me lembro de uma em especial, pedi que a quadra 747 fosse sempre daquele jeito, comestível e cheia de sonhos eternos, para que todos pudessem crescer ao som de cigarras de chocolate e besouros de bala de coco. Não sei até hoje se meu pedido foi atendido, fugi para crescer e nunca mais voltei à quadra 747, cresci e virei gente grande, arrumei um emprego, comprei uma casa e nunca mais tive contato com meus amigos que moravam na quadra 747, mas acredito que estejam até hoje surfando em estrelas cadentes nas noites de natal.
Existe um boato de que a quadra 747 foi o sonho de um menino grande que pintou com as próprias mãos um mundo fantástico e que, algumas pessoas, acreditando neste sonho, fizeram com que ele se tornasse realidade. E a quadra 747 nasceu assim, de uma verdade inventada, nasceu como um pontinho azul no centro da Terra, e foi crescendo, germinando, frutificando. Até que um dia, como que em uma imensa explosão, criou-se a quadra 747, formada de milhões de cacos de sonhos. Um paraíso no meio do nada, uma quadra numérica que nunca foi uma expressão matemática, mas que, com certeza, o resultado sempre dava um número oito deitado, que mais tarde me disseram ser o símbolo do infinito.
Fugi para uma quadra mais distante, nunca mais consegui encontrar o caminho de casa, nunca mais vi meus amigos ou parentes próximos. Fugi porque queria ser diferente, porque queria viver em um mundo grandioso. Achei que outra quadra me abraçaria com zelo, mas nenhuma quadra te abraça como a quadra 747, algumas delas até te chutam na altura do estômago para que você fique sem ar e chore como uma criança, dizem que gente grande não pode perder tempo chorando, pois o mundo jamais esperará que suas lágrimas sequem. Desde aquele dia, não sabia o que era dor, não sabia o que eram lágrimas. E depois de tudo isso chorei por não conseguir achar o caminho de volta. Tive que crescer, tive que aprender algumas coisas, mas em minha cabeça... Só restam as boas lembranças da minha querida quadra 747.
A quadra 747, ali, logo depois do arco-íris de bala de goma, na esquina dos sorvetes que nunca derretem, dos sonhos que sempre crescem e dos jovens que nunca fogem... Eles não precisam, crescem tranquilos, sabem que, por melhor que tenha sido o seu dia, nada se comprara com a volta para casa, nada se compara a voltar... Voltar para a quadra 747...
quinta-feira, janeiro 11, 2007
Enquanto você dorme
Enquanto você dorme, as horas passam
Eu não percebo, eu não respiro
Cuidadoso e enternecido
Decoro cada sarda
Enquanto as horas passam
Numa outra realidade
Eu faço milhares de planos
Penso em cada detalhe
E vivo tantas vidas
Todas elas do seu lado
Enquanto você dorme, eu me perco
Conto mais de mil histórias
Sinto a vida, seda macia
E o odor adocicado
Sinto o meu corpo cansado
Enquanto as horas passam
Eu ouço apenas o silêncio
Das mãos desamparadas
Dos traços, escondidos
Da voz, açucarada
Enquanto você dorme
Eu sei tudo de cabeça
E mesmo de olhos fechados
Eu guardo cada detalhe
De quem dorme ao meu lado
Enquanto as horas passam
Enquanto você dorme, as horas passam
Eu não percebo, eu não respiro
Cuidadoso e enternecido
Decoro cada sarda
Enquanto as horas passam
Numa outra realidade
Eu faço milhares de planos
Penso em cada detalhe
E vivo tantas vidas
Todas elas do seu lado
Enquanto você dorme, eu me perco
Conto mais de mil histórias
Sinto a vida, seda macia
E o odor adocicado
Sinto o meu corpo cansado
Enquanto as horas passam
Eu ouço apenas o silêncio
Das mãos desamparadas
Dos traços, escondidos
Da voz, açucarada
Enquanto você dorme
Eu sei tudo de cabeça
E mesmo de olhos fechados
Eu guardo cada detalhe
De quem dorme ao meu lado
Enquanto as horas passam
quarta-feira, janeiro 10, 2007
Chegou embebedando peles aidéticas e tumores repositórios, assim mesmo, meio que desavisada, quando todos menos esperavam, lá apareceu ela 2007, no feminino, porque 2007 no masculino nada mais é que um ano para novos modelos de carro.
2007 no feminino é um amontoado de bagunças, livros não lidos, guimbas e inundações jovens que nascem e morrem em poucas semanas. 2007 é um quarto onde os párias repousam levemente a cabeça cansada dos artigos instituídos por instituições não governamentais.
2007 no feminino vai virar 2007 no masculino, daqui a exatamente 325 dias, vai ao baile de final de ano, vai trepar com algum suicida pra poder parir 2008. a filha mais nova, mas que também morrerá prematuramente... Às vésperas de completar um ano de idade.
2007 é uma vadia que gosta de batida e cocaína líqüida. Gosta de oxigênio em pó e música alta. Gosta de máquinas de escrever elétricas e de esferográficas azuis. Gosta de tetas e bocetas com pentelho. Gosta de homens magros e de olhos verde limão.
2007 é a prosódia de São Raimundo. É a tarde do caos, é a virgem cega dos cacos de vidro, é a lousa mágica dos poemas mal pensados, meticulosamente planejada no fim de todo do 30 que começa dia 0...
2007 é uma 'string' (com um número indefinido de caracteres). Tem somente um pulmão direito, o outro, com certeza é esquerdo e respira mais acelerado que o direito, mas no fim das contas o direito sempre leva vantagem sobre o esquerdo, porque com certe alguém sempre se cansa primeiro).
2007 dorme nas sargetas e não sabe porque nasceu...
Nasceu para parir alguém...
Nasceu pra virar masculino e criar novos modelos de carro...
2007 nasceu.
E com ele um post idiota.
Feliz 2007... No feminino.
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