::: O gigantesco olhar de uma menina pequena
Olá minha pequena, é difícil pra mim, que não sei transformar os sentimentos em palavras, explicar a saudade que sinto de você.
Saudade do sorriso,
Saudade do olhar bobo de menina apaixonada, olhar que as vezes se torna inocente, e outras vezes, é cruel e impiedoso.
Vontade de você.
Vontade de sentir os teus cabelos fazendo cócegas em meu nariz.
Vontade de acordar durante a noite com esse teu cheiro de menina-mulher exalando desejo.
Dizem que a semana tem poucos dias, e o dia na verdade tem poucas horas. Até mesmo eu pensava assim, dizendo que o tempo passa depressa e que quando a gente menos esperar, nos veremos novamente. Mas a questão não é o pouco tempo que falta para que a gente se veja, a questão é pouco tempo que tenho para me deliciar com o teu sorriso, o pouco tempo que tenho para me esbaldar em sua voz gostosa, pouco tempo para ouvir as tuas verdades, mesmo que elas não sejam absolutas (ainda bem).
Suas incertezas me fazer ter a certeza de que eu quero, que eu te quero, ao meu lado, à minha frente, atrás de mim, para me guiar pro nada, para ficar deitado descobrindo trechos mórbidos da minha existência quase infantil. Te quero, mesmo quando você não precisar de mim, mesmo quando você não me quiser mais. Te quero.
Talvez eu seja um verdadeiro bosta. Que não vai a sua casa, que não sai de casa, que fica preocupado e que faz pouco para que essas preocupações se acalmem indo de encontro à você.
Sou um bosta, é verdade, mais inseguro do que qualquer um que você possa ter conhecido.
Também não sei se tenho algo para lhe dar, mesmo que o que eu tenha para te dar seja pouco, no final das contas, espero que o pouco seja muito.
Saudade de você pequena.
De cada pedacinho seu.
Te adoro...
Todos os dias.
Na quadra onde os paralelepípedos são dobraduras de papel marchê e os sonhos são pedaços desleixados de minha infância reticente... Será que uma cidade caberia inteira dentro da minha quadra?
segunda-feira, abril 17, 2006
A invisível arte de desdizer as coisas
- Digo as coisas e parece que tudo o que eu te falo é somente um monte de palavras sem efeito e sem forma, algo que tanto faz se eu disser ou deixar de dizer.
- É, acho que é mais ou menos por aí.
- Mas o que eu digo pra você é verdadeiro, é sincero. (E aqui as lágrimas começam).
- Pára de chorar, tá chorando por quê? Estamos aqui conversando numa boa e você começa a chorar, pra que isso? (A vontade era de dar um tapa na bunda da pessoa em questão e mandá-la engolir o choro, da mesma forma que mamãe fazia quando se irritava com as minhas manhas e choros sem motivo - Dava um tapa com as havaianas (me lembro da marca, porque ela ficava escrita na minha bunda quando mamãe batia em mim, no solado de borracha vinha escrito (de fábrica), HAVAIANAS AS LEGÍTIMAS. Depois disso falava em tom histérico: 'Engole o choro menino!').
- Eu tô chorando porque você não acredita em mim, como eu te disse, parece que tudo o que eu te falo é somente um amontoado de palavras sem sentido, parece que tudo o que eu te falo é da boca pra fora, por que você não acredita em mim?
- Eu não disse que não acredito em você, disse somente que o que você diz pode realmente não fazer muito sentido para mim. (Como será que uma pessoa pode pensar que chorar e ter esse tipo de diálogo vai resolver alguma coisa? Se você desconfia de algo ou alguém? Você iria achar que essa pessoa não esta fazendo sacanagem somente porque ela está ali, aos prantos na sua frente?).
- Você gosta de mim?
- Claro que gosto benzinho, sei lá, as vezes eu sou um idiota mesmo, pára de chorar que eu não gosto de vê-la chorando. (Sempre me rendo as lágrimas femininas, mamãe diz que eu tenho o coração mole, eu continuo não acreditando em um monte de coisas, mas tem horas que duvidar demais atrapalha as coisas).
E ela me deu uma lambida no braço com a língua molhada neste exato momento...
- Caralho mulher, a gente está aqui discutindo, você chorando, e ainda me dá uma lambida no braço? Você só pensa em sexo? Você é ninfomaníaca?
- Você é uma estúpido mesmo, sabia? Aqui pra você, óhhh (disse isso me mostrando o seu dedo médio).
Homero já devia saber dessas coisas, pensar antes de falar deve ser um dom memorável. O problema é que isso não está escrito em nenhum manual de boas maneiras e muito menos em algum livro filosófico sobre como se portar diante da pessoa com quem você se relaciona. Um dia, quanto eu for expert no assunto, talvez eu faça um destes manuais. O foda é que... Manuais nunca funcionam, o meu aspirador de pó não chupa... (o pó) quando este está embebido em água, mas no manual diz que, aspira tanto pó quanto água. É um troço estranho, mas que com o tempo a gente vai aprendendo a não interpretar ao pé da letra...
Éfe-i-ene.
- Digo as coisas e parece que tudo o que eu te falo é somente um monte de palavras sem efeito e sem forma, algo que tanto faz se eu disser ou deixar de dizer.
- É, acho que é mais ou menos por aí.
- Mas o que eu digo pra você é verdadeiro, é sincero. (E aqui as lágrimas começam).
- Pára de chorar, tá chorando por quê? Estamos aqui conversando numa boa e você começa a chorar, pra que isso? (A vontade era de dar um tapa na bunda da pessoa em questão e mandá-la engolir o choro, da mesma forma que mamãe fazia quando se irritava com as minhas manhas e choros sem motivo - Dava um tapa com as havaianas (me lembro da marca, porque ela ficava escrita na minha bunda quando mamãe batia em mim, no solado de borracha vinha escrito (de fábrica), HAVAIANAS AS LEGÍTIMAS. Depois disso falava em tom histérico: 'Engole o choro menino!').
- Eu tô chorando porque você não acredita em mim, como eu te disse, parece que tudo o que eu te falo é somente um amontoado de palavras sem sentido, parece que tudo o que eu te falo é da boca pra fora, por que você não acredita em mim?
- Eu não disse que não acredito em você, disse somente que o que você diz pode realmente não fazer muito sentido para mim. (Como será que uma pessoa pode pensar que chorar e ter esse tipo de diálogo vai resolver alguma coisa? Se você desconfia de algo ou alguém? Você iria achar que essa pessoa não esta fazendo sacanagem somente porque ela está ali, aos prantos na sua frente?).
- Você gosta de mim?
- Claro que gosto benzinho, sei lá, as vezes eu sou um idiota mesmo, pára de chorar que eu não gosto de vê-la chorando. (Sempre me rendo as lágrimas femininas, mamãe diz que eu tenho o coração mole, eu continuo não acreditando em um monte de coisas, mas tem horas que duvidar demais atrapalha as coisas).
E ela me deu uma lambida no braço com a língua molhada neste exato momento...
- Caralho mulher, a gente está aqui discutindo, você chorando, e ainda me dá uma lambida no braço? Você só pensa em sexo? Você é ninfomaníaca?
- Você é uma estúpido mesmo, sabia? Aqui pra você, óhhh (disse isso me mostrando o seu dedo médio).
Homero já devia saber dessas coisas, pensar antes de falar deve ser um dom memorável. O problema é que isso não está escrito em nenhum manual de boas maneiras e muito menos em algum livro filosófico sobre como se portar diante da pessoa com quem você se relaciona. Um dia, quanto eu for expert no assunto, talvez eu faça um destes manuais. O foda é que... Manuais nunca funcionam, o meu aspirador de pó não chupa... (o pó) quando este está embebido em água, mas no manual diz que, aspira tanto pó quanto água. É um troço estranho, mas que com o tempo a gente vai aprendendo a não interpretar ao pé da letra...
Éfe-i-ene.
segunda-feira, março 06, 2006
Para Aninha:
O cheiro da chuva me abre o apetite, enquanto mastigo guimbas e sonhos perdidos, envoltos em bílis e têmporas de baiacus borrachudamente anêmicos. Você se dá ao desfrute de me chamar de veado simplesmente porque eu gosto de passear com minha mochila cor-de-rosa pelas ruas cimentas de nublados cor de sol. Sua voz me aporrinha como trovões em dia de tempestade seca. Seu ego me machuca muito mais do que as chibatadas que você costuma me dar durante nossas noites divertidas de sexo selvagem. Meu grito abafado por teus dedos largos. Ecos.
Quantos dedos de meus pés são necessários para chutar a porta que guarda seus ouvidos? Um coração com dedos e unhas que arranham as paredes do meu intestino. Lhe agradeço pelos segundos de afeto e resguardo. Pelas vontades e verdades que me foram cuspidas. Mas estou lhe escrevendo para dizer que não posso mais continuar com essa babaquice. Não gosto de você. Achava seus pés sexis, mas depois que as frieiras começaram a aparecer não mais posso continuar com essa farsa.
Obrigado e adeus,
Com amor,
Chiquinho Horta.
sexta-feira, fevereiro 17, 2006
Um hálito de música
Um sopro de sono e a garantia de que o dia termina da mesma maneira que começa: ESCURO!
Um gole d'água cor-de-rosa
Uma pílula inodora, incolor e insípida.
GELO: Do olhar que repreende
CALOR: Do interior molhado que acalma a secura do sorriso desdentado.
LUZ: Da cegueira que me guia em passadas curtas à pequenos trechos (estreitos) de boa vontade.
Um hálito de sopro
Um sono de música
Que sempre termina da mesma maneira que começa...
MUDA.
Um sopro de sono e a garantia de que o dia termina da mesma maneira que começa: ESCURO!
Um gole d'água cor-de-rosa
Uma pílula inodora, incolor e insípida.
GELO: Do olhar que repreende
CALOR: Do interior molhado que acalma a secura do sorriso desdentado.
LUZ: Da cegueira que me guia em passadas curtas à pequenos trechos (estreitos) de boa vontade.
Um hálito de sopro
Um sono de música
Que sempre termina da mesma maneira que começa...
MUDA.
quarta-feira, janeiro 25, 2006
quarta-feira, janeiro 18, 2006
A curta Estória que queria ser grande
Era uma vez uma Estória, que começava com: 'Era uma vez' e terminava com: 'E viveram felizes para sempre'. Mas o que a historinha queria mesmo é deixar de lado essa viadagem de contos de fadas pra poder enfim, crescer. Na verdade, a pequena Estória queria mesmo é ser enredo de novela das oito, cheia de lágrimas e dramas intermináveis, que o autor vai prolongando de acordo com a aceitação do público.
O céu eram risos intermináveis, ela queria é que o céu fossem lágrimas ácidas que lhe cortassem a carne, para que ela pudesse enfim, chorar.
Pequenas Estórias sempre se repetem na vitrola que toca disquinhos infantis, mas o sonho dela era ser narrada no rádio por algum locutor de voz doce, alguém que ao lê-la fizesse com que as senhoras de respeito molhassem as calcinhas e que suassem frio, deixando que florescesse todo aquele desejo tímido que as fizeram crer de que sexo deveria ser feito só para fins de procriação.
Mas a pequena Estória morreu com a censura. Alguém achou que no trecho em que o personagem principal aos 5 anos de idade ia ao bosque de mãos dadas com sua amiga de idade igual, ou inferior a sua, era algo que remetia à: 'ovelhas desgarradas que são levadas publicamente ao facismo por mãos amigas'. E até ontem ela se encontrava lá, arquivada em um arquivo público com a tarja: CENSURADO! E a pequena Estória foi encontrada há pouco tempo atrás, queimada com arquivos da ditadura em uma base militar do exército do seu país.
E para aqueles que não botavam fé na pequena Estória, ela não cresceu... Mas fez crescer, pois virou adubo orgânico, e árvores e folhas sussuram seu nome...
FIM.
BLEEEERRRRGGGGHHHHH
segunda-feira, janeiro 09, 2006
Banzo e escoliose, olfato e paladar aguçados
Vindo pro trabalho, depois de passar uma noite em claro, sem pregar as pálpebras por um minuto sequer. Nada de sono. Pois bem, vinha eu caminhando tranquila e sonolentamente em busca do ócio. Engraçada essa coisa, busca-se o ócio no local de trabalho. Aqui é assim, tudo ao contrário, alguém com uma mente bem mais brilhante que a minha talvez gostasse desse tipo de coisa pra inventar uma fabulosa história de ficção, vai lá saber...
Pois bem, mas voltando ao meu sonolento trajeto, estava eu ali, caminhando tranquilamente, quando me veio à mente trechos de um livro do Moacyr Scliar que eu havia lido no dia anterior a noite não dormida, e me vi dentro dessa história, a única diferença é que ao invés de Benjamim, eu continuava sendo eu, o que, na pior das hipóteses, poderia dar a esse texto, o contexto de tragédia grega (isso deveria soar engraçado, mas quando não se dorme o dia fica péssimo para piadinhas infames), e ao invés de desbravar as redondezas da Europa antes da segunda guerra, eu não tinha saído sequer do bairro onde eu trabalhava, uma observação simples, que nada deve alterar o curso dessa historinha medíocre. E ao invés de encontrar com meu amor platônico, ao invés de ser comunista, ao invés de conversar com Kafka, ao invés de ter Trotski como ídolo, eu simplesmente tinha a intenção de observar, nada mais que observar. A verdade é que se fosse eu quem escrevesse a história, ela seria monótona e sem cunhos emotivos aparentes. A única coisa que pude fazer ao desbravar o 'bairro da labuta', foi observar as coisas minunciosamente com dois de meus cinco sentidos (até que os médicos me digam o contrário, falta de massa encefálica deve ser uma perda enorme, talvez os sentidos nem sintam tanta falta dela assim, talvez seja por isso que eu não sinto muito bem o cheiro das coisas, com certeza deve ser culpa da falta de massa encefálica).
Caminhava eu e meus dois sentidos (os únicos que realmente utilizei nessa 'desbravata' - olfato e visão), e percebi que o 'bairro da labuta', apesar de ser um dos mais luxuosos locais da minha pequena roça iluminada, vulgo, capital de Minas, é um dos lugares mais porcos pra se viver, minha aventura se deu por base da bomba química que fui sujeito a aguentar, pois alguma coisa realmente fedia muito, tampei as narinas com a gola da minha blusa e fui, seguindo em frente com a minha missão (só mais tarde percebi que a tal bomba química vinha de dentro de mim mesmo). Quando eu achei que tudo correria tranquilamente dali em diante, que realmente seria fácil chegar finalmente ao local desejado, me deparo com um monte de bosta de cachorro, com certeza aquilo deveria ser um cachorro gigante, um cachorriulius rex, cuja forma e tamanho ainda me é desconhecido, mas prometo voltar aqui para contar após algumas pesquisas por parte da minha parceira de codinome 'google' (alguns de vocês com certeza já devem conhecê-la, bastante eficiente a mocinha), pelo tamanho do escremento, imagino que o cachorro devia ser um pouco maior que um cavalo, ou uma égua (o sexo com certeza não deve influenciar muito no tamanho do animal, mas é melhor não falar bobagem antes de ter certeza), pois bem, reescrevo a linha de cima, o bichano, de sexo ainda indefinido, com certeza deveria ser enorme, e aquilo, com certeza me deixou apreensivo, o mais intrigante é que a cada passo que eu dava, via uma pequena quantidade de bosta a me perseguir, e descobri que os cachorrinhos das pessoas da mais alta estirpe, defecavam/cagavam por toda a área que meus pés decidiam pisotear.
Enfim, depois dessa nojenta e repugnante missão, cheguei ao meu local de trabalho, bem mais desperto do que antes, pois o sono dera lugar, a algum tipo de êxtase matinal, talvez fosse o cheiro do cocô gigante que tivesse me despertado. Imaginei agora comigo, se utilizam guaraná em pó pra dar vigor físico, porque não comercializar cheiro ruim de bosta de cachorro gigante? Você pode inalar, simples, óbvio, inalar, nada de ficar misturando alguma coisa com água para dar origem a uma mistura com gosto de terra e que te deixa 'acesso', você pode utilizá-la em sua forma bruta, sendo desnecessária a lapidação. Pois é, pensei nisso, eu realmente estava pensando nessa coisa de abrir meu próprio negócio, de me tornar o homem do ano na capa da revista 'Fortune'!!! Meus amigos, podem esperar, aguardem notíciar minhas... Até mais ver!
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