Há algum tempo esta quadra estava esquecida, meio abandonada, foi deixada de lado por seu habitante. Porém, após uma licitação pública, a quadra acaba de ser incluída no projeto de revitalização da cidade.
Passeie por onde quiser, entre nos becos e nas muretas escondidas, sacuda aqueles sonhos que estavam em cima da sarjeta, pegue um pedacinho do céu e deixe-o derreter no céu-da-boca. Acompanhe a informação. Sinta-se à vontade para ir e vir a hora e no tempo que bem entender. Não existem portas, pegue um ônibus, sente-se no fundão, coloque o mp3 player nos ouvidos e curta a viagem... Não tenha pressa para voltar pra casa. Pois você está em casa... Sob um céu cor de caramelo... Sob meia lua aprisionada em uma cesta de basquete na quadra vizinha... Acorde... Respire fundo... Sinta o cheiro! Qual foi sua sensação?
Respire fundo novamente, sinta o ar fresco invadindo seus pulmões. Abra os olhos...
E seja bem vindo.
Na quadra onde os paralelepípedos são dobraduras de papel marchê e os sonhos são pedaços desleixados de minha infância reticente... Será que uma cidade caberia inteira dentro da minha quadra?
segunda-feira, junho 02, 2008
sexta-feira, janeiro 11, 2008
Há alguns meses venho trabalhando em um emprego noturno... Um belo dia minha menina foi ao meu encontro me fazer companhia enquanto eu destrinchava tabelas "html". Minha menina me foi uma companhia silenciosa... Pegou meu bloco de anotações e escreveu algo que eu não sabia o que de fato era... Hoje em meu horário de almoço resolvi arrumar minha bagunça e descobri o que minha menina escrevera de fato... Gostei do que li, e então tomei a liberdade de publicar minha menina e reproduzir em um pequeno espaço o que de fato se tornou o silêncio de sua companhia... Beijos para você menina :o***
::: Sem Título
Mas o que vejo surgindo? Não sei; são passos que ouço? Talvez.
E a claridade que se opõe aos berros do escuro despacham os (pinguinhos) pontos coloridos que brincavam a minha frente. E eu enxergo com medo o que vem lá de longe: são grandes e pesados, em conjuntos combinados. Eu quero correr mas meus pés pés andam de encontro. Caio de joelhos e tombo minha consciência, assim não sinto o que vivo. Assim vivo sem sentir.
A sete léguas do que foi acordo pensando que já se foi e flutuo lentamente pelo campo de tulipas negras, pousando sobre o girasol. Ouço passos? Talvez. E tudo começa outra vez. Como um dia após outro.
::: Sem Título
Mas o que vejo surgindo? Não sei; são passos que ouço? Talvez.
E a claridade que se opõe aos berros do escuro despacham os (pinguinhos) pontos coloridos que brincavam a minha frente. E eu enxergo com medo o que vem lá de longe: são grandes e pesados, em conjuntos combinados. Eu quero correr mas meus pés pés andam de encontro. Caio de joelhos e tombo minha consciência, assim não sinto o que vivo. Assim vivo sem sentir.
A sete léguas do que foi acordo pensando que já se foi e flutuo lentamente pelo campo de tulipas negras, pousando sobre o girasol. Ouço passos? Talvez. E tudo começa outra vez. Como um dia após outro.
Escrito por N. em 24/10/2007
Iria escrever o nome, mas depois fiquei pensando... Pra que nomes em um espaço de iniciais? - "otrobejoprocê" :o*
segunda-feira, novembro 12, 2007
Não queira roubar a inocência desta pequena criança... Não ouse, como um bezerro desmamado... Encher de 'nãos' e 'deslizes' esta pequena cabecinha em formação...
Deixe a criança querer crescer pequeno artrópode... Deixe a criança querer crescer, quando ela bem entender... Não roube dela estes segundos que hão de ser valiosos no fim da tarde de amanhã...
Deixe a criança crescer... Quando ela bem entender...
_!_
Deixe a criança querer crescer pequeno artrópode... Deixe a criança querer crescer, quando ela bem entender... Não roube dela estes segundos que hão de ser valiosos no fim da tarde de amanhã...
Deixe a criança crescer... Quando ela bem entender...
_!_
quarta-feira, novembro 07, 2007
A polícia veio me prender
Depois de parir três quilos de paio e cicuta, meia dúzia de não-verdades, alguns favos de boa vontade e uma boa dose de cetismo, a polícia veio me prender.
Chegaram pela porta da frente um delegado da civil, dois soldados da PM e um militante do PT. Arrombaram brutalmente a porta que estava aberta. Já entraram chutando o cachorro que dizia ser inocente e logo em seguida apontaram uma pistola para a cabeça de vovó.
A pobre coitada não sabia o que fazer, então, nessa ânsia por não querer saber nada, encheu a fralda geriátrica com meio quilo de inocência e trezentos gramas de palavras de baixo calão que haviam sido engolidas à seco.
Solicitaram (o verbo solicitar neste caso é algo parecido com uma solicitação feita sob tortura, uma quase exigência inegável) que mamãe ajudasse vovó a se trocar.
Questionei o porque da invasão, perguntei se tinham mandato para irem invadindo desta forma a minha residência. - Me mostraram o tal mandato, porém também perdi meus dois dentes da frente, não cheguei a lê-lo (o mandato) mas foi um fuzuê danado, depois desta vovô e sua muleta quase acertaram um dos milicos.
Geraldinho, meu irmão mais novo, que estava batendo sua punheta vespertina pós-almoço de domingo, chegou e foi rudemente perguntando que porra era aquela que estava acontecendo ali na sua casa.
O delegado havia começado a explicar que tinham feito uma denúncia anônima de que existia uma plantação de maconha em nossa residência.
Geraldinho questionou mais uma vez, disse que a única plantação que tinham em casa era a hortinha que ficava no quintal. Horta que foi vasculhada pela polícia, claro, não sem antes revirarem a casa de baixo para cima. Será que eles acharam que realmente tinha como haver uma plantação debaixo dos colchões da cama?
Na horta nada encontraram, só o de praxe: Cebolinha, salsinha, coentro, tomate, taioba e um pezinho de acerola que estava germinando por ali.
Vasculharam também alguns vasos de planta: Espada de São Jorge (isso é bom pra bater em menino desobediente, já fui ameaçado várias vezes com esta planta, pensei seriamente em denunciar isto para a polícia, mas fiquei com receio deles levarem isto à sério demais e levarem a minha mãe para depor na delegacia), samambaia, e uma plantinha de sei-lá-o-que-da-felicidade.
Sabe como é, polícia é treinada pra prender e dar tiro em bandido (que a gente nem sabe se são lá tão bandidos assim), não fazem a mínima idéia de que raios são aquela variedade toda de plantas.
E como era de se esperar, não acharam a tal plantação de maconha que eles tanto procuravam.
Os milicos também não queriam ir de mãos vazias para a delegacia, resolveram levar alguém para depôr.
Vovó e vovô já tinham idade avançada, minha mãe era uma senhora bastante simpática, e como ela cuidava dos meus avós, resolveram deixar a "dona" em casa mesmo. Geraldinho é menor de idade, então, acabou sobrando para eu depôr na delegacia.
Lá chegando o delegado solicitou que eu me sentasse na cadeira (por incrível que pareça até que a cadeira era confortável) e fez um monte de perguntas e piadinhas insossas.
No final das contas como eu não ri muito das piadinhas dele, acho que ele resolveu me prender por conta disto. A alegação foi: Extração ilegal de “mudas” de espécies raras da Mata Atlântica. Claro que a esta altura todas as “mudas” eram ameaçadas de extinção.
E é nessas horas que eu penso, antes eu tivesse a porra de um pé de maconha plantado no vasinho juntamente com a samambaia de mamãe. Aí pelo menos eu teria um motivo supostamente justo para ser encarcerado pela polícia.
Fui liberado dois dias depois porque precisavam de espaço na cela para colocar um sujeito barra pesada que tinha dado cabo de um caboclo homossexual, ele jurava de pé junto que o rapazinho havia tentado fazer uma chupetinha nele, e que, esta história estava enchendo o saco, pois o pessoal da vizinhança estava começando a comentar. E como ele era muito macho, resolveu abater o viadinho.
Enfim, fui solto. Não cheguei a ser molestado. Chegando em casa minha mãe me abraçou e disse que lá em casa, a partir deste dia só entrava flores artificiais. Sim, daquelas que a gente olha e vê logo de cara que são de plástico ou de um material sintético qualquer.
Desistimos da idéia quando o pessoal do IBAMA apareceu no final de semana seguinte.
Depois de parir três quilos de paio e cicuta, meia dúzia de não-verdades, alguns favos de boa vontade e uma boa dose de cetismo, a polícia veio me prender.
Chegaram pela porta da frente um delegado da civil, dois soldados da PM e um militante do PT. Arrombaram brutalmente a porta que estava aberta. Já entraram chutando o cachorro que dizia ser inocente e logo em seguida apontaram uma pistola para a cabeça de vovó.
A pobre coitada não sabia o que fazer, então, nessa ânsia por não querer saber nada, encheu a fralda geriátrica com meio quilo de inocência e trezentos gramas de palavras de baixo calão que haviam sido engolidas à seco.
Solicitaram (o verbo solicitar neste caso é algo parecido com uma solicitação feita sob tortura, uma quase exigência inegável) que mamãe ajudasse vovó a se trocar.
Questionei o porque da invasão, perguntei se tinham mandato para irem invadindo desta forma a minha residência. - Me mostraram o tal mandato, porém também perdi meus dois dentes da frente, não cheguei a lê-lo (o mandato) mas foi um fuzuê danado, depois desta vovô e sua muleta quase acertaram um dos milicos.
Geraldinho, meu irmão mais novo, que estava batendo sua punheta vespertina pós-almoço de domingo, chegou e foi rudemente perguntando que porra era aquela que estava acontecendo ali na sua casa.
O delegado havia começado a explicar que tinham feito uma denúncia anônima de que existia uma plantação de maconha em nossa residência.
Geraldinho questionou mais uma vez, disse que a única plantação que tinham em casa era a hortinha que ficava no quintal. Horta que foi vasculhada pela polícia, claro, não sem antes revirarem a casa de baixo para cima. Será que eles acharam que realmente tinha como haver uma plantação debaixo dos colchões da cama?
Na horta nada encontraram, só o de praxe: Cebolinha, salsinha, coentro, tomate, taioba e um pezinho de acerola que estava germinando por ali.
Vasculharam também alguns vasos de planta: Espada de São Jorge (isso é bom pra bater em menino desobediente, já fui ameaçado várias vezes com esta planta, pensei seriamente em denunciar isto para a polícia, mas fiquei com receio deles levarem isto à sério demais e levarem a minha mãe para depor na delegacia), samambaia, e uma plantinha de sei-lá-o-que-da-felicidade.
Sabe como é, polícia é treinada pra prender e dar tiro em bandido (que a gente nem sabe se são lá tão bandidos assim), não fazem a mínima idéia de que raios são aquela variedade toda de plantas.
E como era de se esperar, não acharam a tal plantação de maconha que eles tanto procuravam.
Os milicos também não queriam ir de mãos vazias para a delegacia, resolveram levar alguém para depôr.
Vovó e vovô já tinham idade avançada, minha mãe era uma senhora bastante simpática, e como ela cuidava dos meus avós, resolveram deixar a "dona" em casa mesmo. Geraldinho é menor de idade, então, acabou sobrando para eu depôr na delegacia.
Lá chegando o delegado solicitou que eu me sentasse na cadeira (por incrível que pareça até que a cadeira era confortável) e fez um monte de perguntas e piadinhas insossas.
No final das contas como eu não ri muito das piadinhas dele, acho que ele resolveu me prender por conta disto. A alegação foi: Extração ilegal de “mudas” de espécies raras da Mata Atlântica. Claro que a esta altura todas as “mudas” eram ameaçadas de extinção.
E é nessas horas que eu penso, antes eu tivesse a porra de um pé de maconha plantado no vasinho juntamente com a samambaia de mamãe. Aí pelo menos eu teria um motivo supostamente justo para ser encarcerado pela polícia.
Fui liberado dois dias depois porque precisavam de espaço na cela para colocar um sujeito barra pesada que tinha dado cabo de um caboclo homossexual, ele jurava de pé junto que o rapazinho havia tentado fazer uma chupetinha nele, e que, esta história estava enchendo o saco, pois o pessoal da vizinhança estava começando a comentar. E como ele era muito macho, resolveu abater o viadinho.
Enfim, fui solto. Não cheguei a ser molestado. Chegando em casa minha mãe me abraçou e disse que lá em casa, a partir deste dia só entrava flores artificiais. Sim, daquelas que a gente olha e vê logo de cara que são de plástico ou de um material sintético qualquer.
Desistimos da idéia quando o pessoal do IBAMA apareceu no final de semana seguinte.
segunda-feira, outubro 15, 2007
Segunda-feira pós feriado
Bonita foi a cena da mocinha de corpinho maravilhoso vislumbrando a paisagem do Ribeirão Arrudas*. Fitava-o de tal modo que parecia que tinha visto algo perspassando pela correnteza "sugismunda".
Talvez estivesse procurando o verão no inverno quente e seco. Ou simplesmente sentindo o odor maciço da feijoada do feriado.
Não sei ao certo o que a moça fitava, mas sei que eu estava fitando aquela belezura que apreciava um monte de merda correndo. Acabei me tornando cúmplice daquele movimento de apreciação (poderia dizer depreciação?).
Quem sabe simplesmente uma bela paisagem pitoresca? Uma bela paisagem que passa desapercebida pelos olhares alheios simplesmente porque a bela paisagem fede e o som do rio-descarga-gigante já se transformou em uma lamaçal de adubo líquido!?
Mas a menina era linda... E fazia com que todos parassem para apreciar aquela paisagem...
* O Ribeirão Arrudas é um pequeno rio que atravessa Belo Horizonte. Ele é formado em Contagem, atravessa o centro da Capital e segue em direção a Sabará.
Atualmente, a parte do ribeirão próxima a praça da estação está sendo totalmente coberta para a construção da Linha Verde.
O ribeirão é usado normalmente como esgoto, uma vez que os detritos domésticos e hospitalares de Belo Horizonte caem em suas águas.
Ele desagua no Rio das Velhas, que por sua vez deságua no Rio São Francisco.
Bonita foi a cena da mocinha de corpinho maravilhoso vislumbrando a paisagem do Ribeirão Arrudas*. Fitava-o de tal modo que parecia que tinha visto algo perspassando pela correnteza "sugismunda".
Talvez estivesse procurando o verão no inverno quente e seco. Ou simplesmente sentindo o odor maciço da feijoada do feriado.
Não sei ao certo o que a moça fitava, mas sei que eu estava fitando aquela belezura que apreciava um monte de merda correndo. Acabei me tornando cúmplice daquele movimento de apreciação (poderia dizer depreciação?).
Quem sabe simplesmente uma bela paisagem pitoresca? Uma bela paisagem que passa desapercebida pelos olhares alheios simplesmente porque a bela paisagem fede e o som do rio-descarga-gigante já se transformou em uma lamaçal de adubo líquido!?
Mas a menina era linda... E fazia com que todos parassem para apreciar aquela paisagem...
* O Ribeirão Arrudas é um pequeno rio que atravessa Belo Horizonte. Ele é formado em Contagem, atravessa o centro da Capital e segue em direção a Sabará.
Atualmente, a parte do ribeirão próxima a praça da estação está sendo totalmente coberta para a construção da Linha Verde.
O ribeirão é usado normalmente como esgoto, uma vez que os detritos domésticos e hospitalares de Belo Horizonte caem em suas águas.
Ele desagua no Rio das Velhas, que por sua vez deságua no Rio São Francisco.
P.S.: O texto não necessariamente é uma obra verídica, pode ser um fato imaginário ou que tenha simplesmente sido uma divagação esquisita, enfim, espero que não tenha que dar explicações acerca do que foi acima descrito-inventado(?)
terça-feira, setembro 25, 2007
terça-feira, setembro 04, 2007
A menina e a pança
Comida... Comida... Farofa, arroz, chuchu e chimarrão, guarita, queijo provolone e uma xícara de quentão, as sextas uma batida de conhaque com melagrião, aos sábados ônibus lotado rumo ao Bailão Sertanejo e um punhado de desdém na pança empanturrada de comida... comida... um punhado de sabores... Uma xícara de cheiros, temperos e sôfregos desejos e posteriormente, remorsos.
Não bebe cerveja porque seu pai tinha barriga, seu tio tinha barriga, seu avô tinha barriga, e ela, apesar de mulher, era a próxima geração da família, resolveu não arriscar pois sua mãe sempre dizia que seu pai tinha barriga porque era um pé de cana sem rumo, e que tinha puxado ao vovô que também tinha a barriguinha saliente porque era igualmente pé de cana, sabe como é... Segundo mamãe... Herança genética.
Dizia também (a mamãe) que iria gostar muito mais dele (papai) se ele fosse sarado e esbelto, se fizesse a barba todos os dias e deixasse de acordar todo santo dia com a barba mal feita e aquela cara que desenhava nada-mais-nada-menos do que aquilo que ele realmente era... Um bêbado.
Não bebia (ela e não o pai, nem a mãe), porém, comia... O suficiente para sentir culpa de ter comido e de achar que seu vício-problema era pior do que todos os vícios.
O fumante se quiser parar de fumar, ele larga o cigarro e pronto, ele não tem que fumar nunca mais. O bêbado se quiser parar de beber ele pára e não tem que beber nunca mais... Mas e eu? Que tenho a pança exaltada? Não posso deixar de comer, tenho que comer pouco e o problema é esse. COMER... Dizia que se não tivesse que comer não teria problema, seu 'vício' seria facilmente deixado de lado.
Eu, pessoa que escreve e ao mesmo tempo tenta narrar a história com os relatos que me foram passados pessoalmente - em primeira pessoa - pela própria Isa (que está sendo apresentada tardiamente à vocês), conheci a pança de Isa. Não era nada anormal demais, mas também não era algo belo de se ver. Era estranho, tinha dias que o peito de Isa sumia, a pança crescia de tal forma que o peito desaparecia naquele emaranhado de comida (doces, salgados, quitutes, porcarias do fim-de-semana, nada de bebida, Isa só comia). Tinha dias que a barriguinha de Isa parecia bem menor e todo mundo achava um absurdo ela dizer que precisava fazer regime.
Adoro (Isa) suco de tangerina e favos de mel, gosto de biscoitinho de nata e doce de abricó (pra quem não sabe, abricó é uma frutinha semelhante ao damasco, nunca comi - eu, 'escrevente' - e não posso afirmar tal semelhança, mas no dicionário dizia que sim, que as frutas são parecidas, então, simplesmente acreditei).
(Não-Escrevente) Não gosto de sexo, mas faço. Li em uma revista feminina que isso ajudava a emagrecer, pois era um ótimo exercício físico. Engoli porra uma vez, mas não gostei, achei meio amargo, e o cheiro também me deixava enjoada. Mas fazia amor de vez em quando com meu namoradinho. Depois arranjei um homem muito mais homem, pois ele era sarado.
(Agora eu - Mas Eu quem?) No final das contas, depois de tanto comer-deixar-de-comer, chupar-cuspir, mastigar-digerir... A história de Isa terminou assim, após este monte de estica e puxa Isa acabou virando bala delícia e foi amaciada pela boca de Frederico, seu professor da academia. Fred, como era conhecido por todos, adorou o sabor da 'badelícia'... O problema é que o 'docinho' não desceu muito bem... Passou a tarde de terça-feira trancafiado na baia 3 do banheiro do shopping.
Mas a culpa foi dos vermes que residiam na pança da menina que virou quitute...
.
.
.
P.S.: Eu sei que o texto ficou confuso, ora primeira, ora terceira pessoa, ora pessoa alguma, ora outrém, mas talvez a intenção tenha realmente sido esta. Fazer presença na presença de ninguém, mostrar que alguém falava enquanto outrém fingia prestar atenção na vida de alguém que narrava, presente-futuro, o passado de quem um dia chegou a querer ser mas que acabou não chegando a ser... Ou que acabou sendo porque foi o aquilo que não sonhava em ser... É... Tá confuso, mas eu, particularmente, acabei gostando da minha confusão.
E por isso me atrevo a dizer que o 'pós-texto' é pior do que o 'texto antes-do-pê-ésse'.
Comida... Comida... Farofa, arroz, chuchu e chimarrão, guarita, queijo provolone e uma xícara de quentão, as sextas uma batida de conhaque com melagrião, aos sábados ônibus lotado rumo ao Bailão Sertanejo e um punhado de desdém na pança empanturrada de comida... comida... um punhado de sabores... Uma xícara de cheiros, temperos e sôfregos desejos e posteriormente, remorsos.
Não bebe cerveja porque seu pai tinha barriga, seu tio tinha barriga, seu avô tinha barriga, e ela, apesar de mulher, era a próxima geração da família, resolveu não arriscar pois sua mãe sempre dizia que seu pai tinha barriga porque era um pé de cana sem rumo, e que tinha puxado ao vovô que também tinha a barriguinha saliente porque era igualmente pé de cana, sabe como é... Segundo mamãe... Herança genética.
Dizia também (a mamãe) que iria gostar muito mais dele (papai) se ele fosse sarado e esbelto, se fizesse a barba todos os dias e deixasse de acordar todo santo dia com a barba mal feita e aquela cara que desenhava nada-mais-nada-menos do que aquilo que ele realmente era... Um bêbado.
Não bebia (ela e não o pai, nem a mãe), porém, comia... O suficiente para sentir culpa de ter comido e de achar que seu vício-problema era pior do que todos os vícios.
O fumante se quiser parar de fumar, ele larga o cigarro e pronto, ele não tem que fumar nunca mais. O bêbado se quiser parar de beber ele pára e não tem que beber nunca mais... Mas e eu? Que tenho a pança exaltada? Não posso deixar de comer, tenho que comer pouco e o problema é esse. COMER... Dizia que se não tivesse que comer não teria problema, seu 'vício' seria facilmente deixado de lado.
Eu, pessoa que escreve e ao mesmo tempo tenta narrar a história com os relatos que me foram passados pessoalmente - em primeira pessoa - pela própria Isa (que está sendo apresentada tardiamente à vocês), conheci a pança de Isa. Não era nada anormal demais, mas também não era algo belo de se ver. Era estranho, tinha dias que o peito de Isa sumia, a pança crescia de tal forma que o peito desaparecia naquele emaranhado de comida (doces, salgados, quitutes, porcarias do fim-de-semana, nada de bebida, Isa só comia). Tinha dias que a barriguinha de Isa parecia bem menor e todo mundo achava um absurdo ela dizer que precisava fazer regime.
Adoro (Isa) suco de tangerina e favos de mel, gosto de biscoitinho de nata e doce de abricó (pra quem não sabe, abricó é uma frutinha semelhante ao damasco, nunca comi - eu, 'escrevente' - e não posso afirmar tal semelhança, mas no dicionário dizia que sim, que as frutas são parecidas, então, simplesmente acreditei).
(Não-Escrevente) Não gosto de sexo, mas faço. Li em uma revista feminina que isso ajudava a emagrecer, pois era um ótimo exercício físico. Engoli porra uma vez, mas não gostei, achei meio amargo, e o cheiro também me deixava enjoada. Mas fazia amor de vez em quando com meu namoradinho. Depois arranjei um homem muito mais homem, pois ele era sarado.
(Agora eu - Mas Eu quem?) No final das contas, depois de tanto comer-deixar-de-comer, chupar-cuspir, mastigar-digerir... A história de Isa terminou assim, após este monte de estica e puxa Isa acabou virando bala delícia e foi amaciada pela boca de Frederico, seu professor da academia. Fred, como era conhecido por todos, adorou o sabor da 'badelícia'... O problema é que o 'docinho' não desceu muito bem... Passou a tarde de terça-feira trancafiado na baia 3 do banheiro do shopping.
Mas a culpa foi dos vermes que residiam na pança da menina que virou quitute...
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P.S.: Eu sei que o texto ficou confuso, ora primeira, ora terceira pessoa, ora pessoa alguma, ora outrém, mas talvez a intenção tenha realmente sido esta. Fazer presença na presença de ninguém, mostrar que alguém falava enquanto outrém fingia prestar atenção na vida de alguém que narrava, presente-futuro, o passado de quem um dia chegou a querer ser mas que acabou não chegando a ser... Ou que acabou sendo porque foi o aquilo que não sonhava em ser... É... Tá confuso, mas eu, particularmente, acabei gostando da minha confusão.
E por isso me atrevo a dizer que o 'pós-texto' é pior do que o 'texto antes-do-pê-ésse'.
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