domingo, outubro 09, 2005

Tá antes de mais nada, para os desavisados, quero esclarecer que não sou ateu, não sou anticristo, não sou anti-coisa-alguma, mas sabe como é, é sempre bom esclarecer as coisas antes que as pessoas te detonem com comentários ferrenhos de ordem religiosa... Escrever tem dessas coisas, nem tudo o que se escreve é necessariamente uma verdade, e obrigatoriamente é uma mentira travestida de realidade... Mas se as explicação não resolvem porra nenhuma... Bem... me desculpem, mas, que se fodam os ofendidos...



::: E assim se fez o mundo

Deusdete era um menino muito travesso, vivia isolado em um país de gigantes. Morava naquele mesmo país que o menino do pé de feijão foi conhecer.

Fico pensando, se o tal ministro responsável pelo turismo daquele lugar fizesse uma propaganda na REDE GLOBO, em horário nobre, diga-se de passagem, será que se assim fosse, o tal país dos gigantes seria mais conhecido e visitado que a Disney World?

Mas não percamos o foco de nossa história, voltemos as travessuras do menino Deusdete - ruivinho, com sardas no rosto, apelidado de melequinha cor-de-fogo pelos coleguinhas (é que Deusdete tinha a mal-educada mania de ficar tirando muco do nariz durante as aulas de álgebra curvilínea) - e de Deus pelos parentes mais próximos.

Deus não tinha grandes pretensões na vida, queria ser jogador de futebol, enriquecer facilmente, mesmo sendo um perna de pau, e mais tarde, quando estivesse em fim de carreira, depois de ser pego no exame anti-dopin, posar nu para alguma revista gay e no final das contas dizer que a dinheirama pouco importava, havia feito aquilo por causa da arte.

Deus tinha o sonho de morrer velho e obeso, assistindo novela das oito e se lamentando das coisas que ele deixou de fazer durante a juventude.

Para os pais, Deus era considerado um problema social, menino arredio, de temperamento explosivo, fugiu de casa aos dezesseis. Cresceu nas ruas vendo a triste realidade do seu tempo, deixou de lado a porra daquela coisa que chamam de sonho e começou a trabalhar para se sustentar. Depois de vender bala no sinal, água mineral geladinha, depois de fazer malabarismo (precisou sair do ramo, porque começou a ficar concorrido demais), foi engraxate, segurança de puteiro, gigolô, canalha e bicheiro, resolveu começar a trabalhar com carteira assinada, foi aí que ele descobriu que a profissão mais antiga no mundo não era a das putas, e sim, a dos trocadores de ônibus, deixou o bigodinho crescer e o caralho a quatro, desistiu logo da idéia quando recebeu o seu primeiro contra-cheque. Foi pra avenida larga fazer programa, chupava paus a troco das moedas que os fregueses da padaria deixavam no balcão. Cansou de tentar ser honesto, virou traficante. Conheceu uma puta local e a engravidou, antes descobriu que adquiriu gonorréia e então, aos exatos vinte e dois, virou pai. Sua mulher, agora ex-prostituta, deu a luz a um anão.

Deus não era muito bom com essa coisa de dar nome para as coisas, como traficante só conhecia nome de arma, teve a brilhante idéia de olhar para o lado, quarto 'G', bem, quarto ge, num hospital do SUS, daí a origem do nome GêSUS, que com o passar do tempo foi sendo chamado mesmo é de Jesus (podemos pular a parte da 'transmutação' lingüística da palavra em questão, já que ela é dispensável e chata).

O tempo foi passando e o beco que era de Deus foi ficando cobiçado demais pelos outros traficantes, e então, Deus, zelando pela integridade física do seu único rebento, mandou seu filho-anão pra Terra dos homens.

Na Terra dos homens, Jesus não era anão, era uma pessoa comum, do tamanho de todo mundo, mas, infelizmente, por aqui ele criou um monte de histórias, disse que andava pela água, que multiplicava peixes, que transformava água em vinho e vivia disso, cobrava cachê e tudo mais. Quando os contratantes começaram a descobrir que Jesus era ilusionista e que tudo não passava de truque, mandaram prender o pobre coitado, ele foi espancado, mutilado e recebeu a maior pena da época, a pena de morte.

A verdade é que se fosse nos dias de hoje Jesus seria uma grande estrela, seria rico, teria um monte de mulher e uma quantidade enorme de bens matérias, seria hoje, um homem de negócios. Nada como nascer no tempo certo. 'TUDO TEM SUA HORA' - e assim disse Jesus.

Deus hoje em dia abandonou o tráfico, vive somente com os direitos autorais do livro que seu filho escreveu, O LIVRO SAGRADO, que tinha o nome de 'As Travessuras de Jesus na Terra dos homens', mas com o passar do tempo os editores acharam que o nome não caia bem, e resolveram mudar o nome do livro que conhecemos hoje... E assim se foi Jesus, o filho de Deus com uma prostituta.

terça-feira, outubro 04, 2005



Tempo é uma ampulheta de vento que mede clandestinamente as vozes e os horrores do descaso, com o acaso me desfaço em versos ingratos pela milésima vez.
A incompetência e a incostância do tempo, e o meu descaso com o fato deu querer ser correto me seduz para o contrário desfecho do ser um esbelto mal feito no ventre ensopado de vermes de MIMI.

MIMI é a minha vaca. Tenho horas de prazer com minhas vacas. Canto estórias, conto estrelas, pinto com colheres a ração barata, coloro com fumaça o ar transparentemente opaco.

Tenho amores, tenho galinhas, moro em uma fazendinha num planeta distante, onde o pequeno príncipe é o meu vizinho, onde o E.T. de varginha é o entregador de leite, onde Chupa-Cabras é uma putinha especialista na arte de mamar nas tetas de minhas vaquinhas premiadas.

Aqui não tem água, as plantas crescem com urina rosa, coloridas com tinta óleo e meu patrimônio se torna líquido como... letras e números que me escorrem entre os dedos.

Entre arranha-céus de aranhas armadeiras...
Entre paredes fora de foco...
Entre fotografias que pintamos em nossas retinas...

quarta-feira, setembro 28, 2005



Nas paredes pichações de romances que nunca deram certo, porque romances de banheiro são casuais demais. As vezes me imagino pensando, será que o que está escrito ali, justamente naquele banheiro foi lido por quem deveria? Será? Se o banheiro fosse para homens, mulheres e bichas eu até entenderia, mas e quando você encontra o mesmo tipo de 'mensagem' no banheiro dos homens. Será que aquilo ali foi escrito pra outro homem.

Essa coisa das mensagens subliminares é realmente estranho. Por que será que eu gosto de ler essas mensagens enquanto seguro o pau pra botar pra fora minha embriaguez. Por que será que bêbado nunca tem a pontaria boa, os pés sempre se mijam sozinhos... Pés mijados que se mijam sozinhos, tosco de se pensar, nada muito cheiroso pra querer se lembrar.

Doralice era lésbica, e entrava nos banheiros masculinos e mijava de pé. Uma mulher com culhões. Andava com uma navalha dependurada na cinturinha de pilão, já havia cortado alguns pescocinhos por aí... Não sentia remorsos. Se sentou no vaso, tirou o pincel atômico do bolso da calça jeans, e escreveu. Adoraria que você chupasse o meu pau...

sexta-feira, setembro 09, 2005



Porque um dia somos jovens e nos alimentamos de questionamentos e soluções rápidas, e no dia seguinte, temos a pele enrugada, o pulmão viciado em nicotina e as retinas perturbadas pelas milhares de cores com que pintam a vida...

Porque um dia temos tempo pra deixar pra amanhã o que poderíamos ter feito hoje, e no dia seguinte, temos que utilizar o amanhã pra elaborar hoje e ontem, precisamos de relógio de pulso, lembretes de celular e precisamos de plano de saúde...

Porque um dia temos histórias e poemas pra escrever, e no dia seguinte, temos cadernos rabiscados, corretores ortográficos muito mais inteligentes do que os professores de faculdade e temos o que não temos... Tempo.

Porque um dia temos sorrisos e dentes lindos pra mostrar, e no dia seguinte, nossas rugas tampam nossas expressões...

Porque um dia somos jovens e bonitos demais, e no dia seguinte, nos perguntamos: 'pra que tanto cabelo no saco se na cabeça não sobrou nenhum?'.

Porque um dia nos masturbamos e achamos graça de na mesma noite gozar quatro ou cinco vezes em uma relação, e no dia seguinte, continuamos nos perguntando qual o motivo de tanto peso extra na vida, já que de agora em diante seu corpo está fraco e cada testículo pesa como um saco de laranja cada...

E a vida continua, e eu ainda sou jovem, sou chuva, verão, sol, primavera, outono, inverno, sou quente, sou frio, úmido, molhado, sensível, uma pedra, sou perturbado, tenho vontades, meu saco ainda não é um peso extra, minhas memórias ainda não se transformaram em lembranças, minha saudade ainda não se chama desesperança, minhas músicas ainda não são velhas demais... Meus livros ainda não são clássicos da literatura. Ainda limpo a bunda com as folhas que escrevo, ainda estou me intoxicando com meus desmanzelos, ainda estou aqui... Pro que der e vier, pro que quiser me levar, praquele que me foder e fazer gracejos, praquela que me estuprar e me dizer saúde, pra tudo o que eu quero, pra tudo o que eu transformo... Estou cansado, mas continuo... Primavera, verão, outono, inv(f)erno...

quinta-feira, julho 28, 2005

noise and kisses...




Gotas de chuva cantarolando miasmas e humores de um entediado dia que ainda nem começou o que nunca começa...
Se acaba ao MEIO-DIA.
Quando o dia vira tarde e se entristece de anoitecer.
Quando um qualquer escreve sua triste história diante da tevê ligada, que mostra sua vida em cenas desmontadas de trechos proibidos pela censura imaginária do recalque.
Que uma boca se perca em um beijo.
Que um sorriso acalente a angúsita.
Que duas mãos enrijeçam um caralho
Que um infarto acalme um coração...

terça-feira, julho 19, 2005

O que se diz quando se desdiz...

Minha boca se cala quando não se consente com nada. Fala quando não se seduz palavras indoevindoevoado por entreluzes incandecentes que incendeiam meus olhos no salgado mar morto do que se chama AMOR. Eu não me desfaço em romantismos, que a minha secura não seque e nem segue os teus olhos brilhantes. Que minh'alma se desfaça em cinzas de bem-me-quer-mal-me-quer longe das vistas grossas da maldade, longe da insensatez do que se concretiza com versos chulos de me queira, me prove, me aprove, me diga, me sinta, me acorde. Não posso ser mais do que sou, não quero ser mais do que sou, não consigo ser mais do que sou. 'Quanto menos se fala, menos se erra' - já dizia um sábio ditado. E não sonho, só espero que a fumaça do meu cigarro não me deixe nocivo, e que o amargor dos meus olhos não me deixe inerte...

domingo, julho 10, 2005

para alguém...

Saudade da boca, do olhar sincero, saudade do que é bom e nunca termina, saudade do que você diz que tem pra me dar e que eu gostaria de ter. Saudade do que não é meu por direito, mas que você me deu com vontade e de braços abertos.

Saudade. Saudade. Saudade.

Por mim, pelo que eu gostaria de ter dito e não falei, saudade pelo que eu poderia ter te contado e não contei. Saudade de ser comunicativo e falar as coisas com naturalidade, esquecendo-me de que o dia tem fim. De que todo fim é próximo demais para o amanhã que começa. Saudade por mim... Saudade de quem mora do outro lado da cidade e me mostra o que eu quero mas ainda não quis.

Saudade de uma pequena menina grande. Que sem sombra de dúvidas é bem mais comunicativa do que eu, que me conta dos seus dias, que me conta da sua vida, saudade de uma pequena menina grande, que chora quando se sente triste, que canta quando está feliz, que me conta sobre o que pensa, que me mostra cada pedacinho de verdade, que me sonha cada naco de felicidade.

Tão diferente de mim, calado, estático, de passado duvidoso, de sonhos nublados, de sorriso debochado, de olhar despreocupado, de semblante sem sentido, sem vontades, sem verdades, um pedacinho de gelo quando não deveria, um 'pirracento' quando não gostaria.

Se me quiser, sou seu.
Quando você me quiser...
Enquanto você me quiser.